Membro da Aliança arremata primeira concessão do país para restauração com base em créditos de carbono

Membro da Aliança arremata primeira concessão do país para restauração com base em créditos de carbono
março 29, 2026 Cândida Schaedler

Certame representa marco na política ambiental brasileira ao estabelecer a restauração florestal como pilar da atividade econômica

O Governo do Brasil realizou, neste 25 de março, na B3, em São Paulo (SP), o primeiro leilão de concessão voltado à restauração florestal com geração de créditos de carbono. O certame foi conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e teve como objeto a Unidade de Manejo II (UM II) da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia. A empresa Re.green, membro da Aliança, foi a vencedora do leilão e será a responsável por gerir a área de 51,2 mil hectares ao longo dos próximos 40 anos.

A iniciativa prevê a restauração de 6.290 hectares de áreas degradadas, com foco na recomposição das funções ecológicas, conservação da biodiversidade e contribuição para o enfrentamento da mudança do clima. O modelo de concessão é inédito no país e representa um marco na política ambiental brasileira ao estabelecer a restauração florestal como  pilar da atividade econômica. A proposta permite ao parceiro privado a comercialização de créditos de carbono e de produtos da silvicultura de espécies nativas como fontes de financiamento para custear a recuperação da floresta.

A concessão contribuirá para que o Brasil atinja o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares até 2030 no âmbito do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg). Já há, no país, 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação, quase um terço da meta — segundo dados do governo federal.

“Essa é uma proposta inédita. Somos um país de cultura extrativista, mesmo que em bases sustentáveis. Por meio desta iniciativa, estamos impulsionando a agenda de restauração, que gera como frutos, neste caso, créditos de carbono. Esse ineditismo significa uma virada, uma mudança de paradigma. Por isso, celebramos o resultado do leilão”, destaca a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

“A Floresta Nacional do Bom Futuro é uma das Unidades de Conservação mais pressionadas da Amazônia”, pontuou a diretora de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “A escolha de Bom Futuro sinaliza a decisão de começar exatamente pelo caso mais desafiador, demonstrando nosso compromisso com a recuperação dessas áreas e a retomada da governança territorial.”

Impactos socioeconômicos e ambientais

A proposta da Re.green atendeu a todos os rigorosos critérios técnicos, financeiros e ambientais exigidos pelo edital estruturado pelo SFB. Os principais números projetados para a unidade arrematada incluem:

  • Área total sob gestão: 51.211 hectares.
  • Área de restauração direta: 6.290 hectares.
  • Investimento estimado (Capex): R$ 87 milhões ao longo de 40 anos.
  • Impacto climático: Potencial de geração de 1.897.302 toneladas de CO2 equivalente.
  • Geração de empregos: 479 postos de trabalho na região (272 diretos e 207 indiretos).
  • Retorno financeiro: Outorga média anual de R$ 89 mil, com repasses garantidos ao SFB, Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF), estado, município e ICMBio.

Um dos diferenciais do projeto é a inclusão produtiva das comunidades locais. O povo indígena Karitiana, que foi consultado durante o processo de estruturação do edital, manifestou interesse e terá participação ativa na cadeia produtiva, com atuação no fornecimento de sementes e mudas de espécies nativas, insumos essenciais para a restauração ecológica na região.

Próximos Passos

A concessão da Flona de Bom Futuro integra um conjunto mais amplo de estruturação de ativos ambientais pelo Governo do Brasil. Atualmente, em parceria com o BNDES e o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o SFB estrutura 17 novos projetos de concessão, sendo 10 de manejo florestal sustentável e sete focados em restauração florestal.

O SFB realizará agora uma avaliação técnica detalhada deste primeiro processo para incorporar aprendizados e aprimorar os próximos editais, incluindo a UMF I (lote que não recebeu propostas nesta rodada), visando ampliar a competitividade sem abrir mão da integridade ambiental.

Fonte: com informações do governo brasileiro.