Em evento na China, Aliança discute restauração e bioeconomia

Em evento na China, Aliança discute restauração e bioeconomia
maio 28, 2026 Cândida Schaedler

Evento reuniu especialistas de 28 países, para fortalecer a gestão de áreas protegidas e discutir o futuro da conservação global

A Aliança pela Restauração na Amazônia participou de um evento que destacou Restauração e Bioeconomia na China, entre os dias 18 e 22 de maio, na cidade de Chengdu. O secretário executivo da rede, Marcelo Ferronato (Ecoporé), integrou o “Global Knowledge Workshop”, que reuniu especialistas de 28 países, liderados pelo World Bank Group, para fortalecer a gestão de áreas protegidas e discutir o futuro da conservação global.

Conforme Ferronato, o evento serviu para consolidação de parcerias e apresentação de resultados. “Neste espaço, consolidamos diálogos sobre finanças sustentáveis e cooperação Brasil-China, além de apresentarmos resultados. Representando o Brasil, levamos ao encontro um modelo prático em que a restauração florestal atua diretamente como motor de desenvolvimento socioeconômico e revitalização de saberes”, explicou.

A rede levou desafios comuns e estratégias territoriais implementadas na restauração de paisagens florestais da Amazônia, exemplificando por meio de ações de comando e controle, bioeconomia, envolvimento comunitário e geração de empregos. Além disso, destacou-se a necessidade de modelos de conservação que considerem financiamento permanente, sem deixar de lado os povos indígenas e comunidades tradicionais. 

A Aliança participou da atividade junto ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do ICMBio e do Pacto pela Mata Atlântica.

Em conversa exclusiva com o secretário executivo da Aliança, o diretor de Florestas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Thiago Belote, disse que o Brasil é referência mundial em restauração em escala. “Trazemos forte como aprendizado as ações de territórios da restauração, que são espaços em que se consolida uma cadeia produtiva que dá escala à restauração. Acreditamos na restauração de dentro pra fora, em um modelo que pode gerar impacto e articulação social que mantenha as pessoas no território e as deixe felizes nele”, explicou. “Restauração é mais que plantar árvore, restauração é feita para o bem-estar das pessoas”, concluiu Belote.

Ele também elogiou o planejamento de longo prazo da China. “A restauração aqui veio de uma construção política que envolve conservação de espécies-bandeira, conectividade e recuperação de áreas degradadas, em um modelo de governança eficiente. Temos a faca e o queijo na mão para fazer isso no Brasil. Temos as redes de restauração, a Comissão Nacional para Recuperação da Vegetação Nativa (CONAVEG), além de capacidade de articular com outros ministérios, secretarias e Estados. Estamos em um bom momento”, disse.

Ferronato falou que se surpreendeu ao ver como os Parques Nacionais da China servem para dar escala à restauração, inclusive de espécies ameaçadas de extinção. Além disso, os países presentes, mesmo de contextos muito distintos, apresentam desafios similares na aplicação de suas estratégias de restauração. “Levamos daqui bons casos de sucesso, que nos inspiram a aperfeiçoar nossas práticas”, afirmou Ferronato.