Aliança publica Nota Técnica sobre efeitos do El Niño na Amazônia e recomenda ações ao governo

Aliança publica Nota Técnica sobre efeitos do El Niño na Amazônia e recomenda ações ao governo
setembro 29, 2026 Cândida Schaedler

Riscos, prioridades e recomendações dos membros e organizações do bioma Amazônia resultam em documento para diálogo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA)

A Aliança pela Restauração na Amazônia, por meio do seu Conselho de Coordenação Estratégica, publicou uma nota técnica sobre os efeitos do El Niño na Amazônia, a partir de uma pesquisa feita com membros e agentes da restauração no bioma. A publicação surgiu de um convite, feito pelo Ministério do Meio Ambiente, junto aos demais coletivos biomáticos, para que a Aliança contribuísse com a resposta aos impactos do El Niño sobre a agenda da restauração.

Para subsidiar essa representação, a Secretaria Executiva, com apoio da Secretaria Executiva Operacional, realizou uma consulta aos membros e organizações que atuam com restauração no bioma. Foram recebidas 19 respostas de 15 organizações, entre 28 de agosto e 12 de setembro de 2026. Elas vêm de seis estados e cobrem Terras Indígenas, Unidades de Conservação, Reservas Extrativistas e assentamentos da reforma agrária. 

63% dos respondentes já observam impactos do El Niño nos territórios e 84% apontam o risco como alto ou muito alto. Os resultados completos podem ser conferidos gratuitamente aqui.

Os principais riscos são fogo, seca e calor. A partir disso, os impactos mais citados são déficit hídrico (100%), o calor extremo e a mortalidade de mudas (95% cada) e o aumento do risco de incêndios (89%). Na sequência vêm o aumento dos custos e a perda das janelas de plantio (84% a 89%).

As florestas conservadas e secundárias estão na linha de frente do fogo, quem mais sente os impactos são comunidades e povos tradicionais, o plantio e manejo do fogo são as etapas mais vulneráveis (89% e 84%). Em seguida vêm manutenção e replantio (63%), semeadura direta e SAFs (58% cada). A cadeia de sementes e mudas também é afetada, com mudanças na fenologia e falta de água nos viveiros.

Por fim, a  capacidade de resposta ao fogo é frágil. Apenas 21% relatam brigadas atuando no território. Onde existem, elas ficam distantes das áreas de restauração ou não têm articulação com os projetos. 

Sugestões incluem medidas de curto, médio e longo prazos

Com base nas sugestões dadas pelos respondentes, a Aliança sistematizou recomendações em medidas de curto, médio e longo prazos, que serão encaminhadas ao governo federal com discussões acompanhadas pelo coletivo.

A síntese das medidas contempla sete ações:

  1. Linha emergencial simplificada para proteger as áreas conservadas e em restauração: irrigação de salvamento, transporte de água, manutenção, replantio e prevenção de incêndios.
  2. Prioridade às florestas conservadas e secundárias na prevenção, na vigilância e no combate a incêndios, reconhecendo a vegetação secundária como ativo da restauração em larga escala. 
  3. Flexibilização de cronogramas, metas e desembolsos nos instrumentos federais, mediante justificativa técnica e sem penalização. Inclui a antecipação de recursos para a prevenção e o adiamento de plantios. 
  4. Articulação imediata com Prevfogo/Ibama, ICMBio, Funai e Defesa Civil para planos de contingência conjuntos e para apoiar brigadas comunitárias em Terras Indígenas (TIs) e Unidades de Conservação (UCs). 
  5. Sistema de alertas climáticos regionalizados e estratégia de comunicação coordenada (INPE, INMET, CEMADEN, CENSIPAM), em formatos que cheguem aos territórios, com a Aliança atuando como ponte.
  6. Protocolo de contingência para anos de El Niño, com gatilhos regionais, orientações técnicas por território e incorporação do risco climático aos editais.
  7. Medidas estruturantes: acesso à água (outorga e nascentes), crédito e Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) para SAFs, um programa específico para Terras Indígenas e mecanismos de compartilhamento de risco climático. 

Confira a publicação completa aqui.