
Encontros reuniram comunidades, cooperativas, agricultores e instituições para construir estratégias de restauração com protagonismo local
A Aliança pela Restauração na Amazônia realizou, entre junho e julho de 2026, quatro Oficinas de Integração dos Territórios da Restauração no âmbito da iniciativa ATERA — Articulação de Inteligência Territorial Estratégica para a Restauração na Amazônia. Os encontros aconteceram em Altamira (24 e 25 de junho), São Félix do Xingu (24 de junho), Belém (dias 8 e 9 de julho) e Santarém (29 de junho a 1º de julho), reunindo representantes de entidades de base comunitária (comunidades tradicionais, cooperativas, associações, agricultores familiares, coletores de sementes, viveiristas) além de governo, empresas, organizações da sociedade civil e entidades de pesquisa e extensão.
Realizadas pela Aliança, com facilitação da Consultoria Socioambiental EcoXingu, as oficinas tiveram como objetivo promover o diálogo entre os diferentes atores da cadeia da restauração em cada território, identificar gargalos e oportunidades para poder construir coletivamente estratégias para fortalecer a bioeconomia da restauração na Amazônia. A ATERA é uma iniciativa lançada na COP30 com o objetivo de fortalecer a restauração a partir dos territórios amazônicos.
Restauração como estratégia de desenvolvimento territorial
Um dos principais consensos que atravessou os quatro encontros foi a compreensão da restauração não apenas como obrigação ambiental, mas como uma cadeia produtiva capaz de gerar renda, trabalho e desenvolvimento regional. As discussões abordaram todas as etapas dessa cadeia – da coleta de sementes ao monitoramento das áreas restauradas – e evidenciaram a necessidade de fortalecer cada elo para que a restauração aconteça em escala e seja viável no longo prazo.
A oficina de Santarém, que contou com dois dias de atividades, destacou o elevado potencial da região do Baixo Amazonas e do Tapajós para a produção de sementes nativas e a consolidação de uma economia da restauração baseada na sociobiodiversidade. Os participantes propuseram a criação de redes regionais de coletores, Casas e Bancos Comunitários de Sementes, viveiros comunitários e mecanismos de acesso a mercados.
Gargalos e prioridades comuns
Ao longo das oficinas, os participantes também identificaram desafios comuns aos diferentes territórios: escassez de assistência técnica permanente, dificuldades de acesso a financiamentos adaptados à realidade local, fragilidade dos sistemas de monitoramento, baixa integração entre os atores da cadeia, desequilíbrio entre oferta e demanda de produtos e serviços da restauração, e limitações de infraestrutura logística. A regularização fundiária e o fortalecimento jurídico e administrativo das organizações comunitárias também foram apontados como condições essenciais para ampliar a capacidade de execução dos projetos de restauração.
As oficinas reconheceram o que já existe e funciona nos territórios, como redes de sementes em formação, viveiros comunitários, sistemas agroflorestais, extrativismo organizado e cooperativas estruturadas – ativos que precisam ser valorizados e integrados a uma estratégia territorial mais ampla.
Encaminhamentos das oficinas
Os encaminhamentos consolidados nas quatro oficinas incluem a estruturação da cadeia regional de sementes e mudas, o fortalecimento das organizações comunitárias, a ampliação da assistência técnica continuada, a criação de mecanismos de acesso a mercados e financiamentos, e a integração entre universidades, setor privado, organizações comunitárias e órgãos públicos.
Os resultados das oficinas irão subsidiar o planejamento estratégico da ATERA e orientar os próximos passos da Aliança para fortalecer a restauração florestal na Amazônia com protagonismo dos territórios.
Sobre a ATERA
A Articulação de Inteligência Territorial Estratégica para a Restauração na Amazônia é uma iniciativa da Aliança pela Restauração na Amazônia que busca integrar informações, instituições e iniciativas relacionadas à restauração florestal, orientando investimentos e fortalecendo a cadeia produtiva da restauração em territórios estratégicos da Amazônia. Saiba mais aqui.



