Aliança pela Restauração na Amazônia realiza oficinas territoriais da ATERA em quatro regiões do Pará

Aliança pela Restauração na Amazônia realiza oficinas territoriais da ATERA em quatro regiões do Pará
julho 22, 2026 Cândida Schaedler

Encontros reuniram comunidades, cooperativas, agricultores e instituições para construir estratégias de restauração com protagonismo local

A Aliança pela Restauração na Amazônia realizou, entre junho e julho de 2026, quatro Oficinas de Integração dos Territórios da Restauração no âmbito da iniciativa ATERA — Articulação de Inteligência Territorial Estratégica para a Restauração na Amazônia. Os encontros aconteceram em Altamira (24 e 25 de junho), São Félix do Xingu (24 de junho), Belém (dias 8 e 9 de julho) e Santarém (29 de junho a 1º de julho), reunindo representantes de entidades de base comunitária (comunidades tradicionais, cooperativas, associações, agricultores familiares, coletores de sementes, viveiristas) além de governo, empresas, organizações da sociedade civil e entidades de pesquisa e extensão.

Realizadas pela Aliança, com facilitação da Consultoria Socioambiental EcoXingu, as oficinas tiveram como objetivo promover o diálogo entre os diferentes atores da cadeia da restauração em cada território, identificar gargalos e oportunidades para poder construir coletivamente estratégias para fortalecer a bioeconomia da restauração na Amazônia. A ATERA é uma iniciativa lançada na COP30 com o objetivo de fortalecer a restauração a partir dos territórios amazônicos.

Restauração como estratégia de desenvolvimento territorial

Um dos principais consensos que atravessou os quatro encontros foi a compreensão da restauração não apenas como obrigação ambiental, mas como uma cadeia produtiva capaz de gerar renda, trabalho e desenvolvimento regional. As discussões abordaram todas as etapas dessa cadeia – da coleta de sementes ao monitoramento das áreas restauradas – e evidenciaram a necessidade de fortalecer cada elo para que a restauração aconteça em escala e seja viável no longo prazo.

A oficina de Santarém, que contou com dois dias de atividades, destacou o elevado potencial da região do Baixo Amazonas e do Tapajós para a produção de sementes nativas e a consolidação de uma economia da restauração baseada na sociobiodiversidade. Os participantes propuseram a criação de redes regionais de coletores, Casas e Bancos Comunitários de Sementes, viveiros comunitários e mecanismos de acesso a mercados.

Gargalos e prioridades comuns

Ao longo das oficinas, os participantes também identificaram desafios comuns aos diferentes territórios: escassez de assistência técnica permanente, dificuldades de acesso a financiamentos adaptados à realidade local, fragilidade dos sistemas de monitoramento, baixa integração entre os atores da cadeia, desequilíbrio entre oferta e demanda de produtos e serviços da restauração, e limitações de infraestrutura logística. A regularização fundiária e o fortalecimento jurídico e administrativo das organizações comunitárias também foram apontados como condições essenciais para ampliar a capacidade de execução dos projetos de restauração.

As oficinas reconheceram o que já existe e funciona nos territórios, como redes de sementes em formação, viveiros comunitários, sistemas agroflorestais, extrativismo organizado e cooperativas estruturadas – ativos que precisam ser valorizados e integrados a uma estratégia territorial mais ampla.

Encaminhamentos das oficinas

Os encaminhamentos consolidados nas quatro oficinas incluem a estruturação da cadeia regional de sementes e mudas, o fortalecimento das organizações comunitárias, a ampliação da assistência técnica continuada, a criação de mecanismos de acesso a mercados e financiamentos, e a integração entre universidades, setor privado, organizações comunitárias e órgãos públicos.

Os resultados das oficinas irão subsidiar o planejamento estratégico da ATERA e orientar os próximos passos da Aliança para fortalecer a restauração florestal na Amazônia com protagonismo dos territórios.

Sobre a ATERA

A Articulação de Inteligência Territorial Estratégica para a Restauração na Amazônia é uma iniciativa da Aliança pela Restauração na Amazônia que busca integrar informações, instituições e iniciativas relacionadas à restauração florestal, orientando investimentos e fortalecendo a cadeia produtiva da restauração em territórios estratégicos da Amazônia. Saiba mais aqui.