Aliança apresenta nova estratégia para acelerar restauração em último evento na COP30

Aliança apresenta nova estratégia para acelerar restauração em último evento na COP30
novembro 22, 2025 Cândida Schaedler

Realizado nesta sexta-feira, 21, lançamento da ATERA consolida estratégia territorial do coletivo

A Aliança pela Restauração na Amazônia lançou, nesta sexta-feira, 21 de novembro, a Articulação de Inteligência Estratégica Territorial para a Restauração na Amazônia (ATERA), um hub que visa a escalar a restauração no bioma. Com apresentação do secretário executivo do coletivo biomático, Rodrigo Freire (TNC), o evento foi realizado na AgriZone, espaço promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em paralelo à COP30.

Freire explicou sobre o porquê houve a necessidade do lançamento do ATERA. “A Aliança congrega os atores com os projetos mais importantes em restauração na Amazônia e os recursos para restauração aumentaram, necessitando uma visão holística para aplicação inteligente no território”, disse. Por isso, sinergia entre os projetos pode otimizar recursos e potencializar resultados na prática — uma vez que há muitos projetos e iniciativas similares que devem ser impulsionados por meio da união.

“A ATERA é uma oportunidade de alinhar as prioridades da Aliança com ações efetivas em territórios por meio da maior integração sinérgica entre as iniciativas e com identificação de novas ações necessárias”, explicou Freire. “Como somos uma rede, temos como essência construir essas relações, abordagens e governança”, completou.

O objetivo da ATERA é servir como catalisadora de estratégias territoriais conjuntas para impulsionar com inteligência ações de restauração na Amazônia, conectando atores-chave, visando a otimizar recursos, facilitar investimentos e práticas restaurativas baseadas em ciência e inovação. 

De acordo com Freire, a ATERA pode ser lida como “arranjos territoriais de implementação da restauração”. O público-alvo é formado, majoritariamente, por produtores rurais e agricultores familiares, comunidades tradicionais, governo e técnicos, como extensionistas, por exemplo.

No horizonte, estão projetos de curso a médio prazo, com execução de até 5 anos. Um dos maiores desafios é que a restauração leva tempo para se consolidar. Ou seja, não se obtém resultados em um ano, imediatamente, o que significa conscientizar também financiadores e apoiadores.

Durante a criação da ATERA, Freire explicou que também foram realizadas diversas oficinas em territórios. “Queríamos entender quais territórios da restauração tinham melhor oportunidade de arranjos sinergéticos, integrados e multi-atores”, contou.

Os próximos passos incluem a contratação de uma consultoria e operação de grupos de trabalho, bem como a implementação de ações da ATERA em cada território. Entre as ações priorizadas neste último ponto, estão a oferta de treinamentos técnicos de restauração aos atores locais de interesse por meio do Programa Multiplica Amazônia, que conta com patrocínio do Bezos Earth Fund.

Discussões se estendem a impacto em outros atores

Na sequência, Freire chamou os painelistas para discutirem temas pertinentes ao hub e à expansão de projetos de restauração na Amazônia. Entre eles, estiveram Renata Nobre, da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará (Semas-PA), Frederico Machado, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), e Lenise Oliveira, da Ecovila Iandê. 

Renata contou as dificuldades de sensibilizar e escalar a restauração no Pará, e dividiu a estratégia de criação de uma aceleradora no estado. “A gente tem muita disponibilidade técnica, muito interesse, muita boa vontade, mas o recurso não estava disponível tão fácil”, disse.

Ao longo do tempo, a equipe governamental foi entendendo os fatores que eram fundamentais e que desejavam priorizar no tema. “Onde estão todos os insumos para restaurar em um estado do tamanho da França e da Alemanha juntos?”

Na sequência, o gerente de Uso da Terra, Sistemas Alimentares, Restauração e Bioeconomia do iCS, Frederico Machado, contou como o instituto apoia coletivos, empresas e iniciativas que desejam restaurar. “As instituições que trabalham com restauração são guerreiras e superam as dificuldades, mas poderia haver um caminho muito mais pavimentado”, afirmou.

Assim, o iCS atua muito no âmbito financeiro e no de políticas públicas. “No campo das finanças o ICS juntamente com outras instituições criou um outro coletivo, o Nature Investment Lab – essencialmente liderado por instituições financeiras e pelo setor privado”, contou. Em um ano de lançamento, já há 400 organizações que o integram.

Além disso, o iCS também visa a reduzir os riscos da restauração ecológica do ponto de vista de contato com bancos e instituições de fomento. “Os bancos às vezes não investem, porque têm aversão ao risco e não entendem os projetos”, afirmou.

Por fim, representando agricultores familiares que praticam sistemas agroflorestais (SAFs), Lenise Oliveira contou como vive na Ecovila Iandê, propriedade de 12 hectares que abriga 6 famílias. 

“O maior desafio é sensibilizar os agricultores e dar visibilidade aos atores. Valorizar essa profissão que é a mais importante do mundo, que é o agricultor familiar. Sem valorizar ele, não vamos conseguir chegar nesse escalonamento”, compartilhou.

Ela explicou, ainda, que a agrofloresta é deixar de fazer agricultura de insumos – para trazer um entendimento sistêmico, de processos. Para ela é importante que essas redes ajudem a aumentar essa visibilidade e esses diálogos entre diferentes atores.

Ao final da sessão, houve 15 minutos para interação e perguntas da plateia. A atuação e presença da Aliança nos eventos relacionados à COP30 tem apoio das seguintes organizações: Fundo Vale, iCS e Multiplica Amazônia.