
Realizado nesta sexta-feira, 21, lançamento da ATERA consolida estratégia territorial do coletivo
A Aliança pela Restauração na Amazônia lançou, nesta sexta-feira, 21 de novembro, a Articulação de Inteligência Estratégica Territorial para a Restauração na Amazônia (ATERA), um hub que visa a escalar a restauração no bioma. Com apresentação do secretário executivo do coletivo biomático, Rodrigo Freire (TNC), o evento foi realizado na AgriZone, espaço promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em paralelo à COP30.
Freire explicou sobre o porquê houve a necessidade do lançamento do ATERA. “A Aliança congrega os atores com os projetos mais importantes em restauração na Amazônia e os recursos para restauração aumentaram, necessitando uma visão holística para aplicação inteligente no território”, disse. Por isso, sinergia entre os projetos pode otimizar recursos e potencializar resultados na prática — uma vez que há muitos projetos e iniciativas similares que devem ser impulsionados por meio da união.
“A ATERA é uma oportunidade de alinhar as prioridades da Aliança com ações efetivas em territórios por meio da maior integração sinérgica entre as iniciativas e com identificação de novas ações necessárias”, explicou Freire. “Como somos uma rede, temos como essência construir essas relações, abordagens e governança”, completou.
O objetivo da ATERA é servir como catalisadora de estratégias territoriais conjuntas para impulsionar com inteligência ações de restauração na Amazônia, conectando atores-chave, visando a otimizar recursos, facilitar investimentos e práticas restaurativas baseadas em ciência e inovação.
De acordo com Freire, a ATERA pode ser lida como “arranjos territoriais de implementação da restauração”. O público-alvo é formado, majoritariamente, por produtores rurais e agricultores familiares, comunidades tradicionais, governo e técnicos, como extensionistas, por exemplo.
No horizonte, estão projetos de curso a médio prazo, com execução de até 5 anos. Um dos maiores desafios é que a restauração leva tempo para se consolidar. Ou seja, não se obtém resultados em um ano, imediatamente, o que significa conscientizar também financiadores e apoiadores.
Durante a criação da ATERA, Freire explicou que também foram realizadas diversas oficinas em territórios. “Queríamos entender quais territórios da restauração tinham melhor oportunidade de arranjos sinergéticos, integrados e multi-atores”, contou.
Os próximos passos incluem a contratação de uma consultoria e operação de grupos de trabalho, bem como a implementação de ações da ATERA em cada território. Entre as ações priorizadas neste último ponto, estão a oferta de treinamentos técnicos de restauração aos atores locais de interesse por meio do Programa Multiplica Amazônia, que conta com patrocínio do Bezos Earth Fund.
Discussões se estendem a impacto em outros atores
Na sequência, Freire chamou os painelistas para discutirem temas pertinentes ao hub e à expansão de projetos de restauração na Amazônia. Entre eles, estiveram Renata Nobre, da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará (Semas-PA), Frederico Machado, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), e Lenise Oliveira, da Ecovila Iandê.
Renata contou as dificuldades de sensibilizar e escalar a restauração no Pará, e dividiu a estratégia de criação de uma aceleradora no estado. “A gente tem muita disponibilidade técnica, muito interesse, muita boa vontade, mas o recurso não estava disponível tão fácil”, disse.
Ao longo do tempo, a equipe governamental foi entendendo os fatores que eram fundamentais e que desejavam priorizar no tema. “Onde estão todos os insumos para restaurar em um estado do tamanho da França e da Alemanha juntos?”
Na sequência, o gerente de Uso da Terra, Sistemas Alimentares, Restauração e Bioeconomia do iCS, Frederico Machado, contou como o instituto apoia coletivos, empresas e iniciativas que desejam restaurar. “As instituições que trabalham com restauração são guerreiras e superam as dificuldades, mas poderia haver um caminho muito mais pavimentado”, afirmou.
Assim, o iCS atua muito no âmbito financeiro e no de políticas públicas. “No campo das finanças o ICS juntamente com outras instituições criou um outro coletivo, o Nature Investment Lab – essencialmente liderado por instituições financeiras e pelo setor privado”, contou. Em um ano de lançamento, já há 400 organizações que o integram.
Além disso, o iCS também visa a reduzir os riscos da restauração ecológica do ponto de vista de contato com bancos e instituições de fomento. “Os bancos às vezes não investem, porque têm aversão ao risco e não entendem os projetos”, afirmou.
Por fim, representando agricultores familiares que praticam sistemas agroflorestais (SAFs), Lenise Oliveira contou como vive na Ecovila Iandê, propriedade de 12 hectares que abriga 6 famílias.
“O maior desafio é sensibilizar os agricultores e dar visibilidade aos atores. Valorizar essa profissão que é a mais importante do mundo, que é o agricultor familiar. Sem valorizar ele, não vamos conseguir chegar nesse escalonamento”, compartilhou.
Ela explicou, ainda, que a agrofloresta é deixar de fazer agricultura de insumos – para trazer um entendimento sistêmico, de processos. Para ela é importante que essas redes ajudem a aumentar essa visibilidade e esses diálogos entre diferentes atores.
Ao final da sessão, houve 15 minutos para interação e perguntas da plateia. A atuação e presença da Aliança nos eventos relacionados à COP30 tem apoio das seguintes organizações: Fundo Vale, iCS e Multiplica Amazônia.



