
Secretário-executivo falou sobre sistemas agroflorestais e saídas às alterações de regime hídrico na Amazônia
O secretário-executivo da Aliança pela Restauração na Amazônia, Marcelo Ferronato (Ecoporé), participou de uma palestra online, promovida pela Unicafes, sobre o tema “Do risco à resiliência: Estratégias da Agricultura Familiar e Biodinâmica para a produção de cacau na Amazônia diante da crise climática”. O evento foi realizado no YouTube nesta quinta-feira, dia 22 de outubro, e contou com a participação do agricultor Luciano Sanjuan. Marcelo integrou em sua fala a importância dos sistemas agroflorestais (SAF), com um dos modelos de restauração produtiva que pode contribuir no enfrentamento aos eventos climáticos extremos.
Em sua fala, Ferronato apresentou as alterações nos regimes hídricos que são necessários ao cultivo do cacau na Amazônia. Com uma apresentação intitulada intitulada “O chocolate vai derreter no calor? Como a cacauicultura amazônica tem enfrentado as mudanças climática”, o secretário-executivo compartilhou os cenários projetados pela Ciência, o que agricultores já fazem para mitigar danos, onde os estão os verdadeiros gargalos e explicou o SAF-Cacau na Amazônia, projeto que expande os sistemas agroflorestais em estados amazônicos.
“O cacaueiro tem um envelope climático estreito, e o clima da Amazônia tem se movido exatamente nas duas variáveis que ele menos tolera”, disse Ferronato. A planta precisa de 1.400 mm de chuva por ano, e a Amazônia Legal esquentou 0,6 graus célsius entre 1973 e 2013. Embora o desmatamento tenha se reduzido nos últimos anos, ele aponta que a questão é o desmatamento acumulado. A redução das florestas e impactos do clima sobre o regime hídrico da região preocupam pesquisadores.
Ferronato apresentou um diagnóstico feito pela Ecoporé e Unicafes-RO que entrevistou agricultores familiares em Rondônia e no Pará. Segundo os entrevistados, os meses estão ficando mais longos e quentes e as pessoas têm notado mudança no regime hídrico. “É essa mudança do regime hídrico que afeta as comunidades”, diz ele.
No Pará, se nota mortalidade de plantas, enquanto em Rondônia é a morte das amêndoas que mais preocupa. O enfrentamento das mudanças climáticas, segundo ele, depende menos do clima em si do que do modelo produtivo que será sustentado a partir de agora. Ele apresentou a iniciativa SAF-Cacau e propôs, então, a expansão do modelo de sistemas agroflorestais. “O objetivo do fundo é tirar o SAF-cacau do lugar de alternativa secundária e tratá-lo como estratégia central da agricultura familiar amazônica”, explicou.
“O chocolate não derrete sozinho. Quem está na roça já leu o clima e sabe o caminho. O que decide o resto é se vai existir crédito, assistência técnica e organização para percorrê-lo”, apontou Ferronato.
Ao final da palestra, houve espaço para perguntas. Ferronato respondeu a um comentário em que se afirmava que muita gente não lembra que é possível plantar cacau por meio de sementes. “Essa é uma questão do esquecimento programático, quando se programa a mente das pessoas para esquecer as práticas que são conhecidas delas, com o objetivo de vender pacotes tecnológicos, como é o caso da Revolução Verde”, concluiu.



