
De 27 a 31 de julho, em Brasília, coletivo participou da SOBRE2026, discutindo a Amazônia em simpósios, assembleias, oficinas e em atos coletivos
A Aliança pela Restauração na Amazônia esteve presente na VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE2026), realizada entre 27 e 31 de julho de 2026, em Brasília (DF). Ao longo da semana, o coletivo participou de eventos que reafirmaram seu papel como articuladora da agenda de restauração na Amazônia. Além de reunir membros em Assembleia Geral, a Aliança participou de atos coletivos, como a assinatura de uma carta para as eleições, e levou as iniciativas da rede para a restauração da Amazônia a diversos painéis e oficinas.
O secretário-executivo da Aliança, Marcelo Ferronato, avalia a programação e os resultados como positivos. “A semana foi incrível e com um movimento feito por pessoas cheias de esperança. Cada conferência inspira a próxima — e, assim, crescemos e nos reinventamos”, afirmou Ferronato.
Assembleia de Membros discute os próximos passos da rede
No primeiro dia da conferência, a Aliança reuniu membros em uma Assembleia Geral, realizada no ICC — Anfiteatro 6, das 8h30 às 12h30. O encontro presencial marcou um momento especial de diálogo coletivo sobre a restauração do bioma e o papel da rede como articuladora multissetorial. Os registros podem ser conferidos aqui.
Simpósio sobre políticas públicas e monitoramento
Na terça-feira, das 14h às 16h, a Aliança integrou o simpósio “Políticas públicas para restauração e o papel do monitoramento de resultados”, no ICC — Anfiteatro 9. A conselheira Danielle Celentano (ISA) apresentou o panorama das políticas estaduais na Amazônia, com destaque para o Plano de Recuperação da Vegetação Nativa do Pará (PRVN-PA) e os indicadores para Sistemas Agroflorestais (SAFs). Danielle apresentou as publicações do coletivo e o trabalho que alia ciência ao respeito às sabedorias ancestrais. As publicações da Aliança podem ser conferidas aqui.
O simpósio contou, ainda, com apresentações de Laura Antoniazzi (Agroícone/Araticum), Rafael Chaves (IPA/SEMIL-SP e Pacto pela Restauração da Mata Atlântica), Renato Garcia (NEMA-UNIVASF) e Alexandre Sampaio (ICMBio), abordando experiências de diferentes biomas sobre o uso de indicadores de resultado nas políticas públicas de restauração.
Restaurar o sonho: texto-manifesto de Danielle Celentano
Na quarta-feira, nossa conselheira e uma das nossas fundadoras, Danielle Celentano (ISA) conduziu uma palestra na plenária de abertura, na Universidade de Brasília, com o tema “A Restauração dos Sonhos” — reflexão sobre a dimensão frequentemente esquecida da restauração ecológica: os sonhos.
No texto que embasou a apresentação, publicado no portal de jornalismo ambiental O Eco, Danielle defende que “antes de se materializar na paisagem, toda restauração nasce no coração e na imaginação daqueles que acreditam que outros mundos são possíveis.” A partir de sua trajetória pessoal e do diálogo com saberes indígenas — como os dos Yanomami, para quem sonhar é uma prática espiritual coletiva e política —, ela propõe o conceito de Restauração Ecológica Integral: um processo que integra bem-estar humano, saúde dos territórios e espiritualidade.
“Sonhar é o primeiro ato de restauração, pois é nele que enxergamos aquilo que ainda não existe”, disse Danielle.
Evento do Multiplica Amazônia valoriza espiritualidade indígena
Na quarta-feira, 29 de julho, a Aliança esteve presente na sessão “Vozes da Restauração”, com uma oficina do projeto Multiplica Amazônia dedicada à espiritualidade, à ancestralidade e às experiências indígenas na restauração dos territórios. Esta foi a primeira oficina presencial do Multiplica Amazônia com foco na restauração em terras indígenas. O objetivo foi valorizar a importância do protagonismo indígena como multiplicadores da restauração em seus territórios — sobretudo em um evento como a SOBRE2026, onde se reúnem as pessoas e organizações protagonistas da restauração.
Silvicultura de Espécies Nativas é destaque na SOBRE2026
Na quinta-feira pela manhã, houve dois momentos marcantes. Na sessão plenária de abertura do dia, Joice Nunes Ferreira do Conselho de Coordenação Estratégica da Aliança (Embrapa Amazônia Oriental) foi plenarista na sessão que tratou de debater “Conservar e Restaurar – parceria necessária”. Na sequência, a Aliança realizou o Ponto de Encontro sobre Silvicultura de Espécies Nativas, que reuniu mais de 100 pessoas. O espaço foi uma oportunidade para consolidar a agenda do tema na Amazônia, com discussões em grupos a partir de perguntas norteadoras e partilha em plenária.
Para o coordenador do Grupo de Trabalho de Silvicultura de Nativas, Fabrício Ferreira (Embrapa Amazônia Oriental), o evento foi uma “oportunidade de refletir com este público sobre alternativas para superação dos desafios estruturantes que esta cadeia produtiva enfrenta.”
Confira os registros aqui.
Diretrizes nacionais de restauração para a Amazônia
Também no dia 30, das 14h às 16h, o secretário-executivo da Aliança moderou o Grupo de Trabalho do Bioma Amazônia no simpósio “É hora de discutirmos princípios e padrões nacionais para a boa restauração nos diferentes biomas“, no ICC — Anfiteatro 4. A sessão, moderada por Vera Lex Engel e com participação de Raphaela Aguiar de Castro, Ana Paula Rovedder, Marcelo Ferronato e Anabela Gomes, adotou formato de oficina por bioma para discutir diretrizes de princípios e práticas a partir dos padrões internacionais da SER.
As contribuições do GT Amazônia serão encaminhadas para subsidiar as discussões internas do coletivo. A conclusão central do grupo foi a seguinte frase: “O objetivo supremo da restauração ecológica, quando bem-sucedida, transcende métricas ambientais isoladas para promover a Felicidade e o Bem-Estar das populações humanas integradas ao ecossistema.”
Aliança assina carta pela restauração nas eleições
Para encerrar as atividades, no penúltimo dia, 30 de julho, entidades e movimentos pela conservação e restauração ecológica assinaram uma carta endereçada aos candidatos ao Legislativo e ao Executivo nas próximas eleições. O documento coloca a restauração ecológica como condição fundamental ao desenvolvimento do país, alerta para os riscos da degradação dos ecossistemas à segurança hídrica, energética e alimentar, e defende o protagonismo dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na recuperação dos ecossistemas.
Assinaram a carta: Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE), Aliança pela Restauração na Amazônia, Araticum, Nativas Brasil, Observatório do Código Florestal (OCF), Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, Pacto pela Restauração do Pantanal, Redário, Rede para Restauração da Caatinga (ReCaa) e Rede Sul de Restauração Ecológica.
Leia o documento completo neste link.
Agradecimentos
A presença da Aliança na SOBRE2026 foi possível devido ao apoio de organizações que acreditam na importância da restauração e em nosso trabalho. Os recursos que asseguraram a presença do coletivo foram provenientes do Fundo Vale (por meio do projeto “Gerando valor através da cadeia produtiva da restauração”), Instituto Clima e Sociedade – iCS (Projeto “Redes biomáticas de restauração: fortalecendo a articulação entre stakeholders e ampliando as condições para a restauração em escala”) e Fundo Bezos para a Terra (por meio do projeto Multiplica Amazônia, uma parceria entre Aliança pela Restauração na Amazônia, SOBRE e TNC).
Agradecemos imensamente a todos os membros que dedicam seu tempo voluntariamente para a Aliança pela Restauração na Amazônia e participam de suas várias esferas de governança.



