Aliança participa de Encontro Anual de Beneficiários do Fundo Bezos, em Manaus

Aliança participa de Encontro Anual de Beneficiários do Fundo Bezos, em Manaus
março 23, 2026 Cândida Schaedler

Realizado no Hotel Novotel, evento contou com participação de beneficiários do Fundo, de potenciais parceiros e representantes do governo brasileiro

A Aliança pela Restauração na Amazônia participou do Encontro Anual de Beneficiários do Fundo Bezos para a Terra, em Manaus, entre os dias 10 e 12 de março. Realizado no Novotel, o evento contou com a participação de beneficiários, potenciais parceiros e representantes do governo, que se reuniram para revisar os avanços alcançados até o momento nos projetos apoiados pelo fundo, definir prioridades para os próximos 12 a 24 meses, fortalecer a coordenação e o trabalho em conjunto e identificar novas oportunidades para potencializar os resultados. A Aliança executa o projeto Multiplica Amazônia, em parceria com The Nature Conservancy Brasil e SOBRE, que é apoiado pelo Fundo Bezos para a Terra (Bezos Earth Fund, ou BEF, em inglês).

O Secretário Executiva da Aliança, Marcelo Ferronato, da Ecporé, destaca que, além do Multiplica Amazônia, o BEF apoia mais nove projetos na Amazônia. As iniciativas buscam contribuir com as condições técnicas, humanas e financeiras para transformar esforços isolados em uma ação regional de restauração integrada e eficiente, fortalecendo o protagonismo das comunidades locais. “Esse consórcio, que conta com o trabalho da Aliança para sistematizar resultados em comum, têm metas coletivas cujas entregas serão fruto de vários projetos”, explica Ferronato.

Ele destaca duas metas que acredita estarem ligadas diretamente ao Multiplica Amazônia — resultados que o trabalho da Aliança pode potencializar. “O primeiro é apoiar governos federal e estaduais na entrega de 500.000 hectares de restauração, incluindo regeneração natural assistida em florestas secundárias. O segundo é capacitar povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares para restaurar 1 milhão de hectares com formação técnica, melhoria na oferta de sementes, mudas e mão-de-obra qualificada”, afirma.

De acordo com Giovana Baggio, da secretaria executiva operacional da Aliança e que apoia a articulação do consórcio Bezos, a programação permitiu entender melhor o foco de financiamento do Fundo Bezos, que está presente em áreas com altos índices de biodiversidade, significativas reservas de carbono e compromisso político de governos com pautas socioambientais. “Por isso a Amazônia teve tantos aportes de recursos por parte deles”, comenta.

“Porém, ainda temos grandes desafios no bioma, como o monitoramento e o combate aos incêndios florestais, que afetam sensivelmente os territórios da restauração, e a falta de integração de dados para garantir estratégias concretas de proteção e conservação — para além da restauração, claro”, aponta Baggio.

Oportunidades emergentes no evento

Em relação ao consórcio, Baggio destaca que foram indicadas oportunidades emergentes para seguir os próximos anos dos projetos com resultados colaborativos.

– Integração sistêmica entre redes de sementes e  cadeia de suprimentos, como Redário e Terra do Meio.   

– Integração dos sistemas de monitoramento simplificado e integrado, onde entra o Observatório da Restauração.

– Implementação de programas jurisdicionais. Aqui, o Programa de Recuperação da Vegetação Nativa do Pará foi apresentado como política pública de referência.

– Financiamento corporativo para além da filantropia, o que incide sobre a viabilidade econômica da restauração.

– Ativação de redes regionais para coordenar esforços. Neste item, Baggio lembra da ATERA, uma articulação criada pela Aliança, ano passado, que foi apresentada como oportunidade no evento do BEF.

Ao final, Amanda Paiva Quaresma, secretária executiva operacional da Aliança, realizou uma entrega simbólica da publicação sobre silvicultura e restauração à diretora associada do BEF, Emily Averna, em nome da Aliança e da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.