
Organizado pela Aliança, Imazon e WRI, visita teve eventos em ecovila e assentamento do MST
Durante a COP30, realizada em Belém, a Aliança entendeu uma oportunidade de aproximar investidores e pessoas interessadas na Amazônia da restauração na prática que já é feita no bioma. Por isso, ao lado da WRI e do Imazon, organizou duas visitas de campo a uma ecovila e a um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), onde puderam acompanhar a restauração de áreas degradadas, nos dias 15 e 19 de novembro.
No dia 19 de novembro, cerca de 20 pessoas de diversos países se reuniram na Ecovila Iandê e no Assentamento Abril Vermelho, em Santa Bárbara, próximo a Belém. Com saída da capital paraense, a primeira parada foi a Estrada do Sol Nascente, na entrada da Ecovila Iandê, onde os visitantes puderam escutar as palavras da presidente do Instituto Iandê, Lenise Oliveira.
Ela contou que as famílias chegaram ali em outubro de 2011, em uma área muito degradada. Em 10 anos, porém, a paisagem mudou totalmente — e hoje eles têm áreas agroflorestais que já chegam a 4 hectares do total de 12 hectares da Ecovila. “Com a regeneração, veio uma diversidade de vida”, contou Oliveira. A Ecovila Iandê também é a primeira e única Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA) do Pará e a segunda de toda a região Norte do Brasil.
Depois da apresentação, os visitantes foram convidados a um café da manhã com produtos da sociobiodiversidade local. Entre os pratos, estavam a pupunha, mingau de tapioca, polenta (canjica), mandioca cozida, ariá (tubérculo que há muito tempo era popular na Amazônia e hoje as famílias agricultoras tentam recuperar).
“Não existe agroecologia se ela não estiver presente na mesa, então que no nosso dia a dia a gente lembre da nossa mãe agroecologia nas nossas mesas. A agroecologia precisa começar assim”, disse Oliveira.
Depois do café da manhã, os participantes foram convidados a apresentações sobre os parceiros do evento e o Iandê, antes de uma visita guiada pela área em que houve a implantação de sistemas agroflorestais (SAFs).
Rodrigo Freire (TNC Brasil), secretário-executivo da Aliança pela Restauração na Amazônia, explicou o porquê da promoção da visita durante o período da COP30.
“A gente buscou trazer vocês aqui pra mostrar na prática como a aliança sustenta a agenda de restauração florestal no bioma. Nossa principal parte não é falar de agrofloresta de forma isolada, mas falar disso com as pessoas e para as pessoas”, afirmou.
“A temática de restauração se tornou uma agenda muito estratégica dentro das cadeias florestais”, explicou Freire.
Na sequência, Oliveira explicou mais profundamente sobre a Ecovila Iandê, e contou que a área era utilizada para retirada de areia que era destinada à construção de prédios em Belém. “Esta é uma das formas mais destrutivas de estar na floresta amazônica”, disse.
Após a explanação, o grupo saiu para uma caminhada prática na floresta, também ao lado do morador da Ecovila e agricultor Luciney Marçal. Para ele, “o maior investimento que se pode fazer em agrofloresta é em conhecimento.” Oliveira completou: “O conhecimento é o melhor insumo e não existe melhor adubo no mundo do que o distúrbio agroflorestal, a poda”.
O almoço foi também com produtos da sociobiodiversidade local, mostrando a força da bioeconomia da Amazônia. No cardápio, salada feita com produtos da agricultura familiar, olho de amendoim, patê de girassol, torta de jerimum com recheio de jambu, arroz da roça, maniçoba e cuscuz com legumes
“Aqui [no nosso prato] temos o maior financiamento para mudar o mundo, porque o mundo é o que a gente come”, afirmou Marçal.
Visita a assentamento do MST
Na parte da tarde, os visitantes puderam conhecer outra área que foi recuperada: o assentamento Abril Vermelho, do MST. Os agricultores possuem 7 mil hectares, 95% dos quais estavam anteriormente ocupados com monocultivo de dendê.
Durante a visita, puderam escutar a história do movimento, de ocupação do assentamento e como foi – e ainda é – feita a recuperação da área pelos assentados. Atualmente, cerca de 3,5 mil pessoas vivem lá, em uma área que corresponde a quase 20% do município de Santa Bárbara.
Giovana Baggio, da secretaria executiva operacional da Aliança, proferiu um agradecimento ao final da visita. “A nossa intenção é mostrar que o que vocês fazem é viável, economicamente viável”, disse Baggio. “Estamos mostrando a viabilidade de modelos alternativos”, finalizou.
A atuação e presença da Aliança nos eventos relacionados à COP30 tem apoio das seguintes organizações: Fundo Vale, iCS e Multiplica Amazônia.



