
Painel co-organizado pela Aliança foi realizado na AgriZone e pautou vantagens de se trabalhar em rede
O segundo painel da Aliança pela Restauração na Amazônia foi realizado nesta quarta-feira, 12 de novembro, e pautou os desafios e forças de se trabalhar em rede com coletivos biomáticos do Brasil. Realizado na AgriZone – espaço dedicado à agricultura sustentável e organizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) -, o evento reuniu um público interessado em compreender mais sobre os coletivos biomáticos de cada parte do país.
O evento iniciou com uma fala de Mariana Pardi, que apresentou a Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica – SOBRE. Ela frisou que já são quase 11 anos de história e quase 600 associados. “Ela surgiu como uma sociedade científica mas exptraplou a bolha da academia. A restauração é uma atividade muito prática, não só acadêmica ou teórica”, frisou.
Na sequência, a fala passou à Rafaela Aguiar, também da SOBRE, que moderou o painel e apontou as vantagens de se trabalhar em rede. Entre elas, Aguiar destacou a conexão de diferentes atores, dar escala ao networking e à representação nacional, a facilitação de financiamento, inteligência estratégica e, por fim, capilaridade (visibilidade).
Na apresentação inicial de cada coletivo biomático, os representantes tiveram até dois minutos de fala para uma introdução. Marcelo Ferronatto apresentou a Amazônia, destacando a trajetória da organização e frisou que o que move a organização é o amor pela floresta amazônica.
Em fala posterior, ele destacou que é importante pensar em duas premissas quando se fala em restauração no bioma. “A primeira premissa é que a visibilidade da Amazônia em termos internacionais não pode ser de invisibilidade de outros territórios. A outra é que a definição de áreas prioritárias de restauração na Amazônia precisa ser feita ouvindo a comunidade e os restauradores locais. Não basta só olhar no mapa”, compartilhou Ferronato.
“Para a Aliança, é fundamental observar as capacidades locais, bem como pensar a articulação com os povos”, completou o coordenador do CCE da Aliança.
Desafios compartilhados auxiliam a avançar na restauração
A Rede Araticum, que tem atuação no Cerrado, foi apresentada por Anabele Gomes. Segundo Gomes, a Araticum “pensa na restauração com as pessoas no centro” — levando adiante o que denominam de “restauração inclusiva”.
“Quando a gente vê a comunidade pensando junto, a gente entende o quão resiliente é a restauração. E ao longo do tempo, fomos aprimorando os processos de restauração inclusiva”, contou.
Eles desenvolveram um documento com instruções para restauração inclusiva. “Aprendemos muita coisa nesse tempo, porque estamos falando não só de comunidades, mas de diversos atores. Usamos a restauração como forma de união”, disse Gomes.
Já o Pacto pela Mata Atlântica é o coletivo mais longevo dos que estavam presentes, somando 16 anos de atuação. Alex Mendes atribui essa longevidade à desvantagem da Mata Atlântica, que é o bioma mais desmatado.
“Lançamos mão de sistemas de governança. Geramos conhecimento, comunicamos para furar a bolha e trazemos melhor práticas. Com isso conseguimos gerar algumas questões como melhoramento. E temos trabalhado muito esse envolvimento entre atores para impulsionar a restauração”, explicou Mendes
A necessidade de restauração pela urgência de um evento climático extremo foi o que deu o pontapé ao Pacto pela Restauração do Pantanal: o desafio de manejos de incêndios graves.
“E por que o Pantanal sofreu com incêndio? Porque perdeu 60% da superfície de água. Os 10 municípios que mais perderam superfície de água no Brasil estão no Pantanal”, explicou Clóvis Vailant, que representou o coletivo.
A atuação de redes dá resultado? Pedro Sena, da Rede para a Restauração da Caatinga, apontou que sim. “As áreas de processos em desertificação severa não aumentaram nos últimos 20 anos na Caatinga, e isso significa que a gente está conseguindo frear o desmatamento”, explicou.
O papel da região sul do Brasil ficou a cargo de Ana Rovedder, que apresentou a Rede Sul de Restauração Ecológica e salientou a importância da pecuária em campos nativos como aliada na restauração.
Ela também salientou o papel importante da restauração diante dos desafios da região sul, especialmente do Rio Grande do Sul, com estiagens e enchentes. “Quando a gente se organiza em rede a gente se organiza por coletivos biomáticos, mas quando falamos de emergência climática, ela é geral, planetária. Mas a gente precisa se apropriar como brasileiro da ideia dos biomas e do seu valor no território”, disse Rovedder.
Por fim, o coletivo “caçula” é a Rede Bio, vinculada à Embrapa. Em um revezamento, Fabrício Ferreira e Ivan André Alvarez apresentaram as formas com as quais a Embrapa pode auxiliar na restauração, bem como detalharam o trabalho da rede.
“Hoje a Embrapa não é só rural, mas a interface urbano-rural é muito importante pra gente”, esclareceu Alvarez.
A atuação e presença da Aliança nos eventos relacionados à COP30 tem apoio das seguintes organizações: Fundo Vale, iCS e Multiplica Amazônia.



