Papel estratégico da silvicultura para restauração é destaque na COP30

Papel estratégico da silvicultura para restauração é destaque na COP30
novembro 17, 2025 Cândida Schaedler

Terceiro evento da Aliança na maior cúpula climática foi realizado na AgriZone e lançou publicação sobre silvicultura de nativas

A importância da silvicultura para a restauração foi destaque na COP30, durante evento promovido pela Aliança em parceria com a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura; Embrapa; Parque Científico e Tecnológico do Sul, e apoio do Bezos Earth Fund. Realizado na AgriZone, o painel também lançou uma nova publicação, disponível para download no site da Aliança em inglês e português.

O moderador Fabrício Ferreira abriu a sessão falando que acha fundamental transformar a silvicultura de nativas em programa de Estado. “Plantar árvores não pode ser um projeto de 3, 4 anos, tem que ser um processo dilatado no tempo”, explicou. Com esse gancho, apresentou a publicação e convidou os painelistas a se juntarem no palco.

Entre eles, estiveram Gracialda Costa Ferreira, professora da Universidade Federal Rural da Amazônia; Lucas José Mazzei, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental; Miguel Calmon, colíder da FT Silvicultura de Nativas da Coalizão Brasil e diretor sênior da CI Brasil; e Marília Moreira Viotti, analista ambiental do Departamento de Florestas da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBio).

Marialva Gracialda explicou que a restauração vai além de plantar árvores. “Ela passa pela restauração das pessoas”, explicou. “Eu entendo que o papel da Aliança e de todos os parceiros que estão vinculados a ela é fundamental, mas não pode só ficar nos grandes centros urbanos. A gente precisa de ações efetivas”, recomendou.

Já Lucas José Mazzei explicou um experimento de silvicultura que mostrou que, mesmo com poucas espécies, se consegue trabalhar bem com restauração. E é o aspecto inovador da silvicultura, sobretudo quando olhado do ponto de vista de criação de redes locais.

“Não dá pra fazer qualquer arranjo em silvicultura, ele precisa ter força local. O arranjo tem que ser local. Esforços que já estão sendo feitos por atores locais, seja por organizações sociais ou órgãos de pesquisa”, disse. Ele reforçou a necessidade da união de esforços. “Não dá para ser sozinho. A silvicultura e a restauração vão ser a mesma coisa. Elas têm que ser inovações de arranjo”, finalizou.

Marília, do governo federal, explicou ações que são executadas tendo a silvicultura  como eixo estratégico, como o Planaveg. Porém, ela também reconheceu os desafios de cumprir a meta do governo de restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030 – como um buraco em pesquisas. “Sem as comunidades de base a gente não vai fazer, não vai conseguir fomentar as cadeias produtivas de restauração.” Disse que há muitos projetos e editais acontecendo e que há outros ainda a serem lançados.

Miguel Calmon, por sua vez, destacou o trabalho de articulação da Coalizão e celebrou o quanto tem se pautado a silvicultura. “Falar de silvicultura tanto assim é algo inédito”, pontuou logo no início da fala. Posteriormente, percorreu o histórico de como iniciaram o trabalho com silvicultura e o expandiram.

No início, para mostrar que o projeto era lucrativo, viram que era importante então em pesquisa entender o comportamento de espécies. O primeiro que apoiou os projetos foi Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), justamente preenchendo a lacuna do desafio de buscar financiamento.

“E hoje estamos celebrando aqui esse casamento entre Aliança e silvicultura. Apesar da silvicultura ser de longo prazo, já fizemos muito em 10 anos. Agora essa palavra – silvicultura – não é mais um palavrão”, comemorou.

Para baixar a publicação sobre silvicultura, clique aqui (português / inglês)

A atuação e presença da Aliança nos eventos relacionados à COP30 tem apoio das seguintes organizações: Fundo Vale, iCS e Multiplica Amazônia.